quinta-feira, maio 04, 2006

O Regresso

(Nem a propósito! alguém acabou de me enviar isto...e tem tudo a ver - e nada ao mesmo tempo - com o post anterior)

Se realmente a vida te ensina de algo útil, se de algo te vale a experiência, é para saber que não existe o regresso.

Em termos científicos, é algo de óbvio: o tempo que passou não pode voltar, ao menos nas dimensões cartesianos em que nós nos movemos. Em termos da alma, é só um desejo e igualmente impossível.

Quantas vezes fizemos tentativas, vãs é claro, de retroceder, de tentar voltar a colocar-nos em algum ponto do passado que desejamos vivamente? O esforço é inútil. Aquele lugar, aquele momento, não são passíveis de repetição. A magia que recordamos (por outro lado talvez idealizada pela passagem do tempo), já não existe. Talvez existam outras magias, mas não aquela.

Aferrar-se ao passado, é talvez um sintoma de infelicidade, de falta de presente, de ideias, de objectivos. O passado deve estar aí para a lembrança e prosaicamente, para não cometer os erros de outrora. Querer retornar, além de absurdo é impossível, conduz à negação da tua actualidade, de que o presente tem um sentido que há que elaborar.

E se não o tem, o regresso impossível tornará mais impossível procurá-lo, conduzindo-nos a uma perda da sensibilidade actual, fazendo mais do que nunca actuais aquelas palavras de Tagore que dizem: «se choras porque não vês o Sol, as tuas lágrimas, impedir-te-ão de ver as estrelas.» No entanto, os homens empenham-se muitas vezes, a braços com a nostalgia, em voltar ao passado. Não é mau voltar àquele lugar, recordar aquela melodia, sempre que saibamos que o que sentimos antes já nunca voltará a ser o mesmo.

Viver no passado é triste, ainda que o passado seja maravilhoso, porque além de sermos incapazes de aceitar a realidade, tampouco estamos preparados para construí-la.

Se olharmos para o espelho, que imagem vemos? Certamente a actual, gostemos ou não. O segredo é a aceitação de nós próprios em cada momento. O contrário é o desengano, a vida artificial, a inadaptação, que leva à infelicidade.

Bendito presente, porque estou nele. O amanhã ainda não chegou, e o passado já se foi.

Não pretendo que esqueçamos, as lembranças podem ser lindas, mas não tentemos voltar.
Aquilo...já não existe.

3 Comments:

Anonymous Morgy said...

O nosso passado é a nossa história, é o que nós somos!

Não existe o antes e o depois... mas o mais perto e o mais longe (temporalmente) dentro de nós.

Temos q saber ler o passado para no presente podermos ir conquistando o futuro!

13:32  
Anonymous Anónimo said...

Vivo no presente.
O futuro, não conheço e o passado já o não tenho.

O passado é tudo quanto não conseguimos ser.

As sensações e recordações do passado não deverão ser saudosas, porque o que se sente exige o momento e passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

13:41  
Blogger cristal said...

Os sonhos de Einstein: "Suponham que o tempo é um círculo que se curva para trás sobre si próprio". Alan Lightman

15:56  

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